Há quem pense naquele vermelho que surge após uma taça de vinho ou em situações embaraçosas como uma reação quase meiga da pele. No entanto, a rosácea é uma condição inflamatória crônica, causada por uma combinação de fatores — entre eles a predisposição genética — que vai muito além da vermelhidão. Além do rubor persistente, pode atingir níveis elevados de sensibilidade e provocar sensação de ardor, geralmente desencadeada por gatilhos como calor, comidas quentes ou apimentadas, vinho tinto, o uso de ácidos agressivos, estresse, banhos quentes ou ainda pela presença aumentada do ácaro Demodex, comum na pele, mas que, em excesso, pode agravar o quadro.
Como manter a rosácea sob controle
“Por isso, é muito importante respeitar a barreira cutânea e evitar qualquer tipo de agressão, priorizando sabonetes com pH mais compatível com a pele, não usar produtos muito abrasivos e reduzir gatilhos, como alterações de umidade”, explica a Dra. Maria Bussade. Apesar de não ter cura, há formas de driblar seus momentos mais reativos e mantê-la sob controle. “Durante voos, por exemplo, vale reforçar a hidratação, assim como no pós-piscina, pós-sol ou após exposições a ambientes com variação de umidade, já que a pele pode ressecar muito”, completa.
Rosácea no couro cabeludo: o diagnóstico que costuma demorar
Além do rosto — o mais reconhecível e comum —, existe a rosácea em uma área que costuma demorar mais a ser identificada: o couro cabeludo. “As pessoas, às vezes, acham que se trata de uma dermatite no couro cabeludo. ‘Ah, eu tenho algumas feridinhas, acnes, aparecem algumas espinhas’, mas esses também são sinais de rosácea”, conta a Dra. Sheila Meireles. De acordo com a tricologista Tatiani Cigollini, o mais importante é que o diagnóstico seja feito corretamente e, na sequência, que se busque o equilíbrio do microbioma do couro cabeludo.
O papel do microbioma no equilíbrio do couro cabeludo
“Na terapia capilar, para quem tem rosácea, o primeiro passo é controlá-la, da mesma forma que é feito no rosto. Quando o microbioma está desequilibrado, há aumento da sensibilidade: as pessoas sentem mais coceira, a região fica mais avermelhada e pode haver descamação. Quanto mais equilibrado estiver esse microbioma, mais saudável o couro cabeludo fica e menores tendem a ser as crises”, comenta. O diagnóstico dessa descamação, que à primeira vista pode parecer simples, deve sempre ser feito por um profissional. “Eu sempre digo ao paciente que, se qualquer coceira aparecer, é preciso me procurar. Existem tratamentos que ajudam a equilibrar o microbioma e, para manter esse controle, recorremos a terapias calmantes, com os produtos adequados”, observa Tatiani.