A caminho da longevidade

“Longevidade” parece ser a palavra do momento. Na mesma semana em que, na abertura de seu desfile na Times Square, em Nova York, a Gucci reproduziu em um dos telões uma campanha fictícia — criada com I.A. — da “Gucci Life”, uma linha de suplementos de longevidade, foi publicado um estudo, ainda em estágio inicial, sobre a influência do lazer no envelhecimento epigenético. O que, na vida real, é uma excelente notícia.

A pesquisa se debruça sobre o envolvimento com as artes e a atividade física a partir do Estudo Longitudinal de Famílias do Reino Unido. É interessante notar que “o envolvimento artístico e cultural (ACEng, na sigla em inglês) é cada vez mais reconhecido como um comportamento saudável por si só, compreendendo diversos ‘ingredientes ativos’ benéficos à saúde (como interação social, estimulação cognitiva, estimulação multissensorial e criatividade), além de ativar mecanismos psicológicos, biológicos, sociais e comportamentais complexos associados a desfechos de saúde mental e física”, afirma o trabalho, que utilizou dados de 3.556 adultos entre 2010 e 2012.

Segundo estudos experimentais, já há demonstrações de como o ACEng pode afetar a regulação gênica. É o biohacking, prática que combina ciência, tecnologia e experimentação pessoal para “hackear” a própria biologia, evidenciando uma busca cada vez maior por redefinir as noções de estilos de vida pró-longevidade.

Naquela mesma semana, li também um artigo que, embora não trouxesse a palavra “longevidade” no título nem no subtítulo, me chamou a atenção enquanto folheava O Globo. Em seu texto, a doutora em Cardiologia pela USP e intensivista Stephanie Itala Rizk levanta uma questão pouco falada, mas necessária.

Será que é de bom tom guardar aquele problema para si e responder um simples “Tudo bem” quando nada está bem?

Ao longo das linhas, ela discorre sobre o tema e discorre sobre os efeitos colaterais de lidar com esse estresse armazenado – enquanto seguimos a vida com as outras demandas que a vida moderna exige. Afinal, quando pensamos em bem-estar, pode parecer mais confortável engolir o choro – como, muitas vezes, a nossa sociedade ensina – do que dedicar um cuidado maior aos nossos sentimentos.

Mas, aí, lanço a seguinte questão: o que adianta o skincare estar em dia se seus sentimentos ainda estão encurralados em uma produção de mal estar e ansiedade?

Por isso, quando falamos sobre longevidade, não estamos falando de um ponto final, de um objetivo considerado o “fim da linha”. Falamos, sim, de um processo a longo prazo, que envolve pilares, uma construção diária de cuidados que moldam, de fato, a forma como chegaremos a esse ponto final. E isso passa também pela forma como estamos atentas ao nosso corpo — e ao que ele nos diz. 

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Conteúdo informativo. Para orientações personalizadas, consulte um profissional de saúde.

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