
Quais são os riscos dos rituais de skincare na adolescência?
Seria adequado que, em uma bancada de skincare de uma adolescente, aparecessem produtos com termos como “iluminador”, “preenchedor”, “antienvelhecimento” ou “lifting” na embalagem? Normalmente, as substâncias associadas a esses efeitos – usadas em tratamentos específicos – podem ser potencialmente irritantes para peles tão jovens. Ácido hialurônico, vitamina C, ácido glicólico e retinóides, por exemplo, seriam ingredientes a manter à distância? Para evitar a destruição da barreira cutânea, sim.
Grande parte da influência sobre quais produtos usar na rotina diária de cuidados vem dos tutoriais e propagandas no YouTube e, sobretudo, das redes sociais – especialmente o TikTok, com a popular hashtag #grwm (Get Ready With Me, ou “Prepare-se comigo”, em português) e a tendência batizada Sephora Kids. Segundo um artigo publicado no The Washington Post e um estudo divulgado em junho pela revista Pediatrics, os rituais mais populares entre adolescentes exibidos nessas plataformas continham, em média, entre 11 e 21 ingredientes ativos potencialmente irritantes.
Ingredientes agressivos aparecem em muitas das marcas favoritas da Geração Alfa, como Drunk Elephant e Glow Recipe, que disfarçam ativos potentes sob descrições otimistas e embalagens coloridas – irresistíveis ao olhar adolescente. Apesar da estética lúdica, esses produtos não foram feitos para peles tão jovens. Em resumo, é preciso cautela com rótulos que prometem estimular o colágeno ou trazem termos como iluminador, renovador, firmador, preenchedor, lifting e purificador. Este último, que também pode aparecer como “equilibrante”, costuma conter ativos como enxofre, peróxido de benzoíla e ácido salicílico – indicados para peles com tendência à oleosidade – e, quando usados de forma indiscriminada, podem agravar quadros de acne e causar danos, às vezes irreversíveis.

O maior risco relacionado ao uso de cosméticos na infância e adolescência está na presença de disruptores endócrinos – substâncias que possuem ação semelhante à dos hormônios e podem interferir no desenvolvimento. “Essas substâncias estão presentes em diversos cosméticos, daí a necessidade de orientação médica quanto ao uso. “
Jovens produzem naturalmente grandes quantidades de colágeno, o que significa que pré-adolescentes não precisam de ingredientes antienvelhecimento que visam estimular sua produção. A pele jovem também dispensa substâncias como hidroxiácidos e vitamina C tópica: o uso inadequado pode comprometer a barreira cutânea – camada responsável por proteger contra irritantes como a poluição e por manter a hidratação.
Pesquisadores da Northwestern Medicine também descobriram que meninas de 7 a 18 anos usam, em média, seis produtos no rosto – normalmente sem incluir o protetor solar – e muitas vezes expõem a pele a substâncias com risco de causar irritação, dermatite alérgica de contato e sensibilidade ao sol. Frequentemente, essas jovens têm o primeiro contato com tais produtos na casa de amigas, mesmo sob o cuidado dos pais.
O ideal é construir uma rotina de skincare simples: lavar o rosto com um sabonete suave, hidratar com um produto sem perfume e, por fim, aplicar o protetor solar. Há quem defenda optar por fórmulas com até dez ingredientes – mas, mais do que contar, o importante é saber quais são eles. E, claro, manter distância do que soar suspeito.