Por que a pele com aspecto natural ainda reina nas passarelas das semanas de moda?

Por que a pele com aspecto natural ainda reina nas passarelas das semanas de moda?

Menos cobertura, mais brilho: como a maquiagem de passarela reinventou a pele natural

Lábios vermelhos – dos mais vibrantes aos profundos – e olhos esfumados, nas pálpebras ou na linha d’água, acompanhados de um elemento constante: a pele natural. O que parece repetição é, na verdade, a confirmação de que a maquiagem segue o movimento de conscientização sobre leveza, frescor e o brilho de uma derme bem cuidada.

Esse foi o veredito das temporadas internacionais de moda, encerradas na última semana, que deixaram boas inspirações para o dia a dia – sem sufocar a pele.

Por muito tempo, a moda desfilou em uma passarela lúdica, carregada de exageros e camadas excessivas de produtos, criando coberturas à prova de imperfeições e, por isso, distantes da naturalidade. É evidente que se trata de um território fértil para a criatividade e a ousadia – um espaço que abre possibilidades para descobrirmos novos mundos e nos surpreendermos.

No entanto, esse universo tão atraente também é responsável por moldar – ou melhor, ditar – regras sobre o que é belo e quem pertence a esse espaço. Por isso, essa tendência – que nada mais é do que uma resposta aos estímulos comportamentais, sobretudo à conscientização – aproxima as mulheres, neste caso, de uma realidade mais concreta. E mostra que a fantasia das passarelas pode, sim, traduzir o espírito do tempo com uma dose a mais de magia.

A beleza de passarela que melhor ilustra esse visual – tão perfeito e delicado que parece quebrável – é a maquiagem criada pela beauty artist Pat McGrath para o desfile de Alta-costura da Maison Margiela, em 2024. Os visuais viralizaram rapidamente, assim como a curiosidade sobre como a maquiadora havia dado vida a um efeito tão inédito: uma pele impecável e envernizada, quase de boneca de porcelana.

Essa estética, ainda que lúdica o suficiente para sabermos que não se aplica ao dia a dia, remete à Glass Skin (em tradução livre, “pele de vidro”) – tendência coreana de skincare baseada em hidratar, uniformizar, alisar e iluminar a pele a ponto de fazê-la parecer um vidro recém-polido.

Já o Inner Glow, que começou como conceito de cuidados com a pele, também se transformou em visual de maquiagem, priorizando um acabamento luminoso, hidratado e não oleoso. O segredo está em reduzir ao máximo as camadas de base e concentrar a correção em pontos estratégicos, como a região dos olhos, criando um aspecto saudável e com viço.

O frescor de ambas as tendências, que se cruzam com frequência, dominou os desfiles de Verão 2026, incluindo Dior, Chloé e Tom Ford. Foi possível ver sardas, pintas e até pequenas imperfeições nas peles das modelos – um respiro para os poros e uma aparência levemente úmida (de hidratação, não de oleosidade). Houve também rostos bronzeados, com uma dose delicada de “beijos do sol” na área das têmporas.

Contracenando com esse visual, há níveis de ousadia para todos os gostos. Se a escolha recair sobre os olhos, há desde os clássicos smokey eyes e delineados “gatinho” até variações marcantes com dourado, seja no contorno ou combinadas a sombras cremosas. Sempre com cílios naturais — os postiços, ao que tudo indica, tiraram férias.

Nos lábios, vale tudo: dos etéreos rosados matte aos tons de marrom, ícones dos anos 1990, passando pelo vermelho clássico e audacioso – do tomate ao quase vinho – em acabamentos glossy, esfumado ou aveludado. Em qualquer versão de beleza, tudo começa – e termina – com uma pele de verdade.

Conteúdo informativo. Para orientações personalizadas, consulte um profissional de saúde.

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